quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Amem se como se não houvesse amanhã!

Parte do meu mundo desabou no passado dia 2, sexta feira, quando recebo um telefonema da minha mãe, por volta das 14:30h e do outro lado, por entre choro, pânico, medo e, acima de tudo, desespero: 'o teu pai está a ser reanimado'... Cai no chão, sem me conseguir levantar, sem forças, sem conseguir levantar um dedo e sem conseguir respirar. Fiquei em choque! O meu pai! Sim, o MEU PAI! Aquele homem forte, sempre mas sempre bem disposto e de bem c a vida, ainda que andasse com mil problemas e preocupações às costas. Aquele homem tão, mas tão bem humorado, sempre com um sorriso na cara e que andava super apaixonado plo neto. A viver a melhor fase da sua vida, reformado ainda nem há um ano, a tomar conta dos netos. Vidrado no meu Vasco, vidrado de amor e o meu filho respondia com o mesmo sentimento. Sim, só o colo do avô é bom para adormecer e para ficar ali quentinho, qualquer outro é berro na certa. Um homem com uma cabeça magnífica...
Sim, esse homem, o único homem da minha vida durante muitos anos.
Quando cai em mim, quando ganhei forças, entrei num choro compulsivo numa mistura com raiva, porque ninguém merece, mas acreditem... O meu pai não merecia ter passado por isto... Mesmo! O meu marido disse me ontem 'nunca irei esquecer o teu choro compulsivo enquanto davas murros no chão a gritar 'O MEU PAI O MEU PAI É O MEU PAI, POR FAVOR O MEU PAI NÃO'. Na verdade nem sei onde estou a ir buscar forças para escrever sobre isto... Acho que por ter recebido um post numa ( e única ) seguidora ( uma querida ).
Fazer a viagem até Braga, onde o meu pai encontrava se hospitalizado, foia viagem mais dura que já fiz. O tempo não passava e as lágrimas pareciam não ter fim... Não me esqueço - impossível - da imagem da minha mãe sentada a um canto, toda encolhida e de olhos verdes bem inchados e vermelhos, ainda a chorar desesperadamente... E este seria apenas o primeiro dia...
Não vou descrever a imagem do meu pai, primeiro por respeito a ele, que é muito, segundo porque acho que ninguém tem de ter em mente uma imagem assim e terceiro porque dói me mais do que possam imaginar 'só' de lembrar. Posso vos dizer que nunca, nunca na vida imaginei ver o meu pai assim - o meu pai não! Não o meu querido pai de 60 anos e tão cheio de vida.
Foram os piores 15 dias da minha vida... A espera para que o meu pai acordasse, a espera para que o meu pai reagisse, a espera plo meu pai. Sim, o meu pai! Esse homem que daria a vida dele por mim, naquele dia era eu que queria trocar com ele. Como o meu irmão mais novo disse, de lágrimas a encherem lhe os olhos e a soluçar de tanto conter o choro, enquanto olhava para o meu pai 'não é suposto. Um pai é quem vem em nosso socorro, quem nos ajuda. E não o contrário e por isso só me apetece trocar com ele'. Rezei, muito, todos os dias, todas as noites, com todas as minhas forças. As que tinha e as que não tinha. E todos os dias era uma ansiedade para que chegasse a hora da visita... Até ao dia em que o médico me vê entrar, pela porta dos cuidados intensivos e dirige se a mim e eu mais uma vez pergunto lhe por novidades. Resposta: 'chame-o'
Como?
Chame-o! Chame o seu pai'

As minhas pernas ficaram sem forças, as lágrimas escorriam e mal o meu pai ouviu a voz do meu marido: 'Vitor?', o meu pai! Sim! O meu querido e forte pai lá virou a cara e abriu os olhos com a força que tinha e até àquilo que os sedativos permitiam. O meu querido pai olhava de novo para mim e desta vez era ele que chorava e chorava e chorava sem parar...
'Quando acordou, Dr.?'
'De madrugada, está a ir acordando'
O meu coração voltou a bater! Era tudo o que eu queria, o meu pai de volta. Dia após dia ia acordando um cadinho mais e 14 dias depois o meu pai tinha alta. Muita coisa se passou nestes dias, muitas lágrimas ainda correm e muito amor, carinho e paciência temos para dar ao meu querido pai. Um enfarte gravíssimo mexe muito com as pessoas... O meu pai não está bem, mas a cada novo dia vai melhorar e é nisso que acredito: o meu pai vai recuperar! Paragem respiratória de 20min deixa sequelas graves, no meu pai a nível da memória, mas acredito e sei que com muito estímulo o meu pai vai conseguir aproximar se tanto mas tanto da pessoa que era, que ainda vai brincar com a situação, típico do feitio dele.
Vivi os piores 15 dias da minha vida e não consigo imaginar o que o meu pai estará a sentir... Mas estamos cá para ele e eu, por ti meu querido e doce pai, faço tudo. TUDO! Como tu por mim e meus irmãos.
Agora? Um dia de cada vez... É isso mesmo, um dia de cada vez!

2 comentários:

  1. Oh querida!
    Estou aqui de lágrimas nos olhos.
    Tenho me lembrado de vocês e hoje resolvi "questionar" se estava tudo bem... Mal eu pensei no que iria ler a seguir!
    Não imagino o sofrimento, a angústia, o medo que passaste, que passaram...
    Penso no meu pai e tremo! Tremo pelo amor que lhe sinto, tremo pelo amor desmedido que o meu filho já lhe tem (desconfio que é a pessoa que ele mais gosta!).
    Espero e estou aqui a torcer para que corra tudo muito bem. Vai correr, tenho a certeza!
    Um beijinho enorme de muita força e coragem*

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  2. Nunca, mas nunca ignorem os sinais... Dores no peito fortes são de ir ao hospital! Colesterol, fumar... Cuidado! Sei que o meu filho vai ter o avô que conheceu, pelo qual se apaixonou, aquela pessoa espectacular de volta. Tudo leva o seu tempo... O meu pai conseguiu até aqui! Vai conseguir mais um pouco... Ai se vai! Obrigada pelo carinho. Beijinho grande

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